tão longe, tão perto

Durante dois meses as diferenças culturais vão estar assim...tão longe, tão perto. Do Brasil para a Alemanha, o olhar de uma jornalista brasileira...as impressões, as emoções. A cultura, as diferenças, as semelhanças, os sentimentos....... Viaje comigo!

Donnerstag, Januar 18, 2007

Reportagem minha no Diário Catarinense

Houve uma vez um Inverno


Termômetros batem recorde na Europa, alteram hábitos e transformam a concorrida temporada de esquiadas na neve em uma Primavera antecipada

CLEIDE KLOCK/ Colônia, Alemanha

Passear pelas margens do Rio Reno, que corta o Oeste da Alemanha, nunca foi um do melhores programas no Inverno. A neve e o frio intenso sempre impediram qualquer um de se aventurar em um passeio gelado como este. Mas os tempos mudaram, ou melhor, o tempo está louco, como dizem os alemães. Os europeus em geral afirmam que o Inverno nunca foi tão quente. O que para os brasileiros seria um frio para ficar debaixo das cobertas - com temperaturas oscilando entre 9°C e 10°C -, para eles é a própria Primavera antecipada. No final da tarde, os moradores de Colônia correm de short e camiseta, fazem caminhadas e levam crianças e cães para passear. Os jovens estão nas ruas com seus patins, bicicletas e patinetes, e nos bares ao ar livre, dia e noite. Flores desabrocham antes da hora nas margens do Reno Os donos de restaurantes de Colônia já puseram as mesas nas calçadas, como costumam fazer na Primavera. Janeiro sempre foi tempo de ficar dentro de casa, com os aquecedores ligados. Com ou sem neve, os termômetros sempre estavam no negativo. Passeios à beira do rio, onde o frio sempre foi mais intenso, não eram sequer cogitados nesta época do ano. A alta temperatura que vem sendo registrada desde o início do ano mudou a cara da cidade. Até as flores voltaram antes da época às margens do Reno. O Inverno primaveril confundiu a natureza. A jornalista ucraniana Oksana Didenko, que passa o mês de janeiro em Bonn, fez questão de registrar as inusitadas flores. - Nunca temos flores no Inverno, é preciso registrar. Quem gosta de aproveitar as particularidades da estação está decepcionado com o Inverno "quente". A estudante alemã Stefanie Grube gosta de esquiar, mas este ano não vai ser possível. Sem neve, várias estações de esqui fecharam e campeonatos foram cancelados. - Quando eu era criança sempre tinha muita neve e a cada ano a quantidade parece estar diminuindo, é muito triste - lamentou. As lojas já colocaram todos os artigos de Inverno em promoções, como acontece todos os anos. Porém, agora elas chegam a dar 70% de desconto e quase toda a coleção de Inverno já está em oferta nas prateleiras. Quase nada foi vendido e com poucas perspectivas de esfriar é possível que tudo fique para o ano que vem. Ursos não dormem e pássaros não migram A fauna também está confusa com o Inverno quente. Os pássaros que sempre estão longe do frio, já voltaram ou nem foram para o sul, como acontece anualmente, e é possível ver bandos na beira dos lagos e nas árvores que começam a brotar. Os animais que hibernam no Inverno também se confundiram com as temperaturas que estão cerca de 10°C acima da média e atrasaram em dois meses o sono anual. Os ursos, que todo ano dormem de outubro a abril, só começaram a descansar este mês. Outras espécies, como ouriços, sapos, salamandras e morcegos, também não sabem em que estação estão e não hibernaram. Uma preocupação dos ambientalistas é com relação aos insetos, que ao contrário dos outros anos sobreviveram ao Inverno e devem se proliferar intensamente no Verão. No Sul da França, um calor de 21°C As temperaturas estão em média 10°C acima das médias dos anos anteriores. No dia 9 de janeiro foram registrados na cidade de Bonn 16,4°C, um recorde para essa época. No Sul da França, em Nimes, os termômetros marcaram 21,1°C, outro recorde dos últimos 50 anos. Segundo estudo da Comissão Européia, esse calor pode trazer conseqüências para a natureza e para os seres humanos. Caso a temperatura global média subir até 3°C nos próximos 65 anos, aumentará em cerca de 86 mil o número de pessoas que morrem por ano devido às mudanças climáticas - advertem especialistas.