...e o vento, quase, me levou…
Não acreditei quando vi nas TVs, na quarta, que a previsão eram ventos de até 200 km/h. Pensei, sei lá, talvez aqui seja normal, estão talvez falando de ventos no mar, ou, sei lá o que pensei. Mas não dei muita bola não. Mas ontem o assunto na cidade era o vento – que sei que não é normal em lugar nenhum chegar a 200 km/h…as escolas não tiveram aula, começou por aí. O pessoal do trabalho foi embora mais cedo. Mas euzinha continuei aqui…minha amiga ucraniana chegou na sala falando…vamos embora correndo, parece que não vai ter ônibus mais tarde…não dei bola, tinha que terminar uma reportagem (afinal tô acostumad com o vento "Suli"daquela ilha do Atlântico....
Quando eu saí, entendi todo o alarde!!!
Meu Deus!!!
Loucura total…pensei que estava no próprio olho do furacão!!! O vento era meio abafado, meio gelado, mas ao todo muito forte e estranho. Me lembrei do dia do furacão Catarina, em Santa Catarina. Um ar estranho, é meio indescritível mesmo, se buscarmos todos os adjetivos mais cinzentos…Tudo balançava. As árvores centenárias dançavam conforme a música do ventos…e o áudio ambiente era um zzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZzzzZzzzZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzZZZZzzzzzentende?
Muito estranho, ninguém na rua…pensei – Vixe Maria, só sobrou eu!!!!
Ou - só não vai sobrar eu!!!! Parei no ponto do ônibus e comecei a analisar a estrutura dele. São bem fortes…tentei balançá-lo e nada. São muito bem feitos…se fosse os nossos, já tinham levantado vôo. Enfim, olhei nos arredores…na minha frente tinha uma arvore imensa…Só pensei no estrago, caso ela resolvesse cair em cima de mim….pra que lado ia correr? Desenvolvi na minha cabeça uma ação tática (ixi…meu vocabulário já está igual ao do Secretário de Segurança do Rio de Janeiro…). Tudo me passou pela cabeça…pior, o ônibus não veio…aqui eles são muito pontuais, e agora ele não apareceu…esperei o próximo, tava com medo de andar os 200 metros até o metrô…fiquei ai…10 minutos pareceram duas horas…E a cabeça cheia de idéias do tipo pra que lado correr….
Enfim o ônibus…detalhe, tenho que pegar 2….fui….quando saltei pra pegar o segundo ônibus, o vento parecia que ia me carregar…mas consegui entrar e sentar….
Fui .........e cheguei em casa, contra o vento. Nas TVs pude ver o tamanho do estrago do furação Kyrill, esse é o nome dele…Vi que 4 pessoas morreram aqui por perto, esmagadas por árvores…
Pensei – sou uma sobrevivente…Santa árvore das raízes fortes que estava na minha frente…
Em casa tudo batia, as portas…as telhas. As construções aqui, realmente, resistem a tudo…as paredes são muito largas e sólidas. Eu e minhas estatísticas, de quem viu de perto agora 2 furacões, acho que esse foi muito pior que o nosso Catarina – foram 39 mortes em toda a Europa. Mas as estruturas aqui são incomparavelmente melhores…
Mas mesmo assim, o caos se estabeleceu…pararam todos os transportes…avião, trem, ônibus, então imagine…
A noite inteira as telhas se ajeitavam no telhado e o ZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzZZZZzzzzzZZZZZZZZZZZzzzzzzz continuou até a hora que adormeci…
Hoje, a calmaria….cá estou eu. E a primeira coisa que quis ver hoje de manhã foi a árvore, do ponto do ônibus. Ela continua no mesmo lugar…


4 Comments:
Falei com o Aurélio e ele disse pra vc catar "uns catarina" aí pra valorizar a nossa terrinha, rs
Vai tentar falar contigo no msn.
Beijo e bom trabalho minha amiga!
amiga, acho q vc deveria plantar uma árvore bem forte quando voltar. em homenagem à 'tua' alemã.
eu sei q tem muita coisa por aí melhor que aqui... mas não trocaria nosso Brasil por mil Alemanhas. lembra que aqui a nossa Primavera (ainda) É Primavera! beijão
Pra vc, que pelo jeito gosta muito de cinema:
Nunca te vi... sempre te amei...
Olá Clê, aqui em Portugal também o tempo está maluco, o mar esta a destruir as orlas e esta um frio de rachar, mas não deve estar tanto como aí na Germania. Eu vi nas noticias aqui. Beijinhos grandes e fica bem! Deia
Kommentar veröffentlichen
<< Home